A felicidade é, e sempre foi, um trabalho interior!

A felicidade é, e sempre foi, um trabalho interior!

A minha própria experiência e a conclusão

As minhas próprias vivências puseram-me em contacto com pessoas em vários caminhos da vida. Muitas partilharam comigo as suas lutas e êxitos pessoais.

 

 

Através dos anos de envolvimento com elas, fiz anotações mentais sobre os possíveis caminhos para a felicidade.

Além do envolvimento profissional, há ainda a minha busca pessoal da felicidade. Guardo nítidas lembranças dos meus próprios êxitos e fracassos. Há alguns becos sem saída que parecem atraentes mas não levam a lugar algum. Há montanhas para escalar, a passo, um atrás do outro. Há armadilhas nas quais caímos com facilidade

Quando me ocorrem todas estas lembranças, convenço-me de que a felicidade está ao alcance de todos. O único problema é que, se tentarmos alcançá-la pelo lado de fora, estaremos na direção errada, A felicidade é, e sempre foi, um trabalho interior.

Esta é outra conclusão importante: a felicidade é também um subproduto – o resultado de um outro tipo de ação. Como uma borboleta arisca, a felicidade não pode ser perseguida diretamente.

Todas as tentativas nesse sentido estão condenadas ao fracasso. Quase tudo o mais se pode procurar e adquirir de maneira direta: alimento, abrigo, saber. O mesmo não acontece com a felicidade, que se alcança através de outros caminhos.

Mas, que outros caminhos são estes?

Depois de muita reflexão sobre as minhas próprias experiências, convenci-me de que esses outros caminhos podem ser condensados em dez tarefas ou práticas de vida. Talvez outras pessoas discordem ou façam acréscimos à lista das dez práticas que estou propondo. Sinta-se livre para isso. De qualquer maneira, estes são os requisitos que acredito serem necessários para alcançarmos a verdadeira felicidade. A explicação de cada um será o conteúdo deste livro. Através destas páginas, trago-lhe, leitor, a minha amizade. Espero que pegue no livro com mãos gentis e o leia com abertura de espírito.

 

Uma palavra Final

Os caminhos da felicidade são práticas de vida.

Não são coisas simples que possam ser feitas de uma só vez e para sempre. Não é como colocar moedas numa máquina da felicidade e ganhar, de repente, o prémio máximo! Isso seria como vender um produto falsificado. Seria como um impostor que prometesse felicidade instantânea.

A vida é um processo gradual de crescimento, só pouco a pouco podemos praticar os nossos exercícios. O caminho da felicidade é uma ponte que se atravessa devagar, não uma curva fechada que se faz de uma só vez.

Já que a felicidade é um subproduto, quanto mais praticarmos os dez exercícios de vida, mais próximos estaremos da satisfação pessoal e da paz interior. Quanto mais buscarmos a nossa felicidade dentro de nós mesmos e não nas coisas e pessoas, mais experimentaremos um sentido de direção e significado nas nossas vidas.

Lembre-se, não é uma questão de “tudo ou nada”, mas de “cada vez mais”.

Viver é crescer, e o crescimento é sempre gradual.

A palavra latina beatus significa, “feliz”. A beatitude é um desafio e uma realização. Ela oferece (indiretamente) a verdadeira felicidade a quem assume o desafio e consegue vencê-lo pouco a pouco.

Estas são as minhas “beatitudes”.

 

 Fonte: Retirado do livro- “Felicidade: um trabalho interior” de Jonh Powell, sj

 

Postado e composto por: Isabel Pato

 

  

As armadilhas da competição e da comparação

As armadilhas da competição e da comparação

As fitas gravadas dos pais… (cont)

As armadilhas da competição e da comparação

 

Uma das fitas que mais toca dentro de nós é a da comparação. Desde que fomos apresentados ao público, começámos a ser comparados: “Parece-se com o pai”. “É igualzinha à mãe. Os pontos mais comuns de comparação são estes:

Aparência
Inteligência
Comportamento
Realizações.

Naturalmente há sempre alguém mais bonito, mais esperto, mais bem comportado e mais eficiente do que nós.

Os nossos pais ou professores não deixam de os mencionar.

“Porque não podes ser como ele?”

“Porque não sais tão bem como o teu irmão?”

“Se penteares o cabelo para baixo, as pessoas não vão notar que tens a testa grande. Ficarás mais apresentável”.

Assim fomos ensinados a comparar-nos com os outros.

E quanto a isto, todos os especialistas estão de acordo: a comparação é a morte da verdadeira auto estima. A armadilha da competição é um pouco diferente.

Tanto dentro como fora da escola somos instigados contra os outros. Competimos por notas, por sobressair nos desportos, por popularidade, por participar dos grupos que estão na moda”. Infelizmente os resultados destas lutas e competições precoces deixam cicatrizes duradouras em muitos de nós. Ainda assim, continuamos a competir pela vida afora. Mais tarde, apenas se mudam os símbolos do status.

Ainda ficamos deslumbrados com a visão e os sons do esplendor. Dentro de nós, o monstro da inveja queixa-se:

“Se eu me parecesse com…

Se eu soubesse dizer coisas tão inteligentes…

Se eu tivesse uma casa dessas…

Se eu ganhasse tanto dinheiro…”.

Mas nem chegamos perto dos “ses” e, afinal, no jogo da competição, todos perdem.

 

Fonte: Retirado do livro- “Felicidade: um trabalho interior” de Jonh Powell, sj

 

 

Gestão de Stress


A escolha é sua!

As fitas gravadas dos pais

As fitas gravadas dos pais

Uma das razões pelas quais a maioria das pessoas confunde as fontes da felicidade são as chamadas fitas gravadas dos pais.

Estas são as mensagens daqueles que mais nos influenciaram durante a nossa infância. Chegamos a este mundo cheios de perguntas, e as respostas que recebemos, desde muito cedo, ficam gravadas na nossa memória.

Essas fitas tocam dentro de nós o dia inteiro e a noite toda, mesmo quando dormimos. Uma das perguntas que mais nos fazemos é: «O que me vai Fazer Feliz?”.

A maioria das respostas que recebemos quando crianças não foram transmitidas a nível verbal, mas a nível da linguagem não verbal.

Linguagem não verbal

 Aprendemos mais através do que vemos, do que daquilo que escutamos. Se observarmos os nossos pais preocupados, aprendemos a preocupar-nos.

Se os vemos discutir por causa de dinheiro, aprendemos que este é essencial felicidade. Se percebemos quer nas suas palavras, quer na sua linguagem corporal e expressão facial uma super dependência das outras pessoas, concluímos que estas podem fazer-nos felizes.

Se ouvimos acusações do tipo: “é de enlouquecer!“ concluímos que os outros também a nós nos podem enlouquecer. Aparentemente, eles podem fazer-nos felizes ou infelizes, tristes ou alegres, seguros ou inseguros.

Ou talvez tenhamos assimilado o velho ditado: “Quem tem saúde tem tudo”.

Houve um tempo em que eu me julgava um pensador independente. Mas, à medida que envelheço, percebo como essas fitas gravadas de meus pais fazem parte de mim e da minha vida. Tenho de as rever e reformular permanentemente.

Fonte: Retirado do livro- “Felicidade: um trabalho interior” de Jonh Powell, sj

Gestão de Stress


A escolha é sua!

A Felicidade anunciada

A felicidade anunciada!

A Felicidade anunciada

Mesmo com toda esta desilusão que experimentamos buscando coisas fora de nós, nunca olhamos para dentro na tentativa de encontrar aquilo de que andamos à procura. Talvez Dag Hammarskjold esteja certo quando diz que somos muito capazes de explorar o espaço exterior, mas muito incapazes de explorar o espaço interior.

Talvez tenhamos sido levados para o caminho errado pela onda de propaganda que nos rodeia. Garantem alguns que seremos felizes se usarmos este ou aquele produto.                   Vamos ter uma boa aparência, um perfume agradável, um bom desempenho.              Vamos seguir confiantes, felizes, descontraídos, pelos caminhos da vida.

Estas mensagens publicitárias querem fazer-nos acreditar que a felicidade é simplesmente a multiplicação de prazeres. Assim, fazemos dívidas e consumimos todos os artigos que possam trazer a felicidade, mas continuamos «a levar uma vida de silencioso desespero».

Não conseguimos alcançar a felicidade prometida pela propaganda.

Há a história de uma moça que vendia perfumes numa loja. No balcão havia um grande cartaz: «ESTE PERFUME DÁ-LHE A GARANTIA DE ARRANJAR UM HOMEM!” Uma velha solteirona aproximou-se do balcão e delicadamente perguntou a vendedora «Este perfume dá mesmo a garantia de se arranjar um homem?”. Respondeu a vendedora: “Se fosse realmente garantido, acha que eu estaria aqui de pé, atrás deste balcão oito por dia, a vender perfume?”

 Será que o problema é querermos «dar um passo maior que as pernas» em matéria de felicidade?

 

“Um passo maior que a perna”

Será apenas um caso de expectativas irreais?

Não creio que a questão seja assim tão simples.

Acredito que andamos em busca da felicidade nos lugares errados. Pomos a nossa esperança em coisas e pessoas que simplesmente não podem realizá-la. Para me lembrar disto pus no espelho do quarto o seguinte letreiro: “Eis a pessoa responsável pela tua felicidade”. Cada da acredito mais nesta afirmação.

Fonte: Retirado do livro- “Felicidade: um trabalho interior” de Jonh Powell, sj

A triste estatística

A triste estatística

A triste estatística

Suponho que todos nós somos capazes de adquirir o “hábito da felicidade”.

 

Thoreau

Certa vez, o filósofo Thoreau disse que a maioria das pessoas “leva uma vida de silencioso desespero», tendo desistido de alcançar uma felicidade verdadeira e duradoura. As evidências, nos nossos dias, são tão assustadoras, que Thoreau parece estar certo.

A cada dia aumentam o número de divórcios, os casos de abuso de crianças e de cônjuges, a dependência do álcool e das drogas. Há uma explosão de gravidez na adolescência. Os grupos de assaltantes invadem as ruas. A polícia patrulha os arredores dos colégios. As prisões multiplicam-se. As nuvens de um conflito mundial pairam no horizonte. Muitas pessoas acham que isto explica a nossa infelicidade crónica. Até o ar que respiramos está poluído. A chuva que molha os frutos é «chuva ácida”. Os alimentos que ingerimos contêm muitos agentes cancerígenos. Há o pesadelo da SIDA, que promete fazer milhões de vítimas nos próximos anos. Num panorama como este, é difícil escapar à depressão. Por outras palavras, se não nos sentimos mal com tudo isto, é porque não estamos atentos ao que se passa à nossa volta, ou, como disse Waltel Cronkite certa vez: «Se acha que as coisas vão bem, é melhor mandar consertar a televisão».

Não é de admirar que a Organização Mundial de Saúde tenha apontado a depressão como a doença mais comum em todo o mundo. Um terço dos americanos acordam deprimidos todos os dias. Especialistas calculam que apenas dez a quinze por cento dos americanos se consideram felizes. O maior Índice de suicídio entre profissionais é entre os psiquiatras, aparentemente, nem mesmo a psiquiatria, oferece a combinação certa para o segredo do cofre. Como consequência, há muito quem descreia da felicidade. Como a busca nessa direção tem sido muito mal sucedida para a maioria de nós, muitos desistiram, partindo para as drogas, comendo demais, bebendo demais e tentando parecer felizes. “A gente luta pela vida”, disse alguém, “e depois morre».

 

Para muitas pessoas, a promessa da verdadeira felicidade é apenas uma mentira cruel. É como o pote de ouro no fim do arco-íris que as faz correr cada vez mais rápido, cada vez com mais esforço – sem nenhum resultado.

Fonte: Retirado do livro- “Felicidade: um trabalho interior” de Jonh Powell, sj

A felicidade é uma condição natural

Felicidade!

A felicidade é uma condição natural

 

Gostaria de começar com uma hipótese que o leitor terá de a examinar com cuidado. Talvez discorde. De qualquer modo, defendo, nestas páginas, que a condição natural do ser humano é ser feliz. Tenho, a certeza de que todos nós fomos criados por Deus para sermos felizes, neste mundo e também no outro, eternamente. A lógica, para mim, é a seguinte: se uma pessoa está sempre infeliz, alguma coisa está mal. Alguma coisa falta. Claro que não é por nossa culpa ou por nossa escolha. Ainda assim, continuo a pensar, que alguma coisa falta. Vou pedir-lhe que seja paciente comigo enquanto tento explicar a minha hipótese nas páginas seguintes.

O desejo inato ou uma história de frustração

Desejo ou frustração?

 

Acredito que todos nos sentimos um desejo persistente e inato: queremos ser felizes! No entanto, infelizmente, fomos frustrados neste desejo algumas vezes. Os nossos, sonhos de felicidade não se concretizaram. Como eu, também o leitor se lembra das ocasiões em que criou, expectativas apenas para as ver dar em nada. Quando crianças, por exemplo, sonhámos com uma bicicleta à nossa espera na árvore de Natal e imaginámos que a vida seria sempre maravilhosa depois disso. Ate que numa manhã de Natal, lá estava a bicicleta, nova e reluzente, ao pé da árvore. Ficámos em êxtase. Mas com o passar dos dias, a pintura começou a descascar, o guiador entortou-se e o eixo começou a ranger. O sonho acabou lentamente, quase sem dor. Mas, então, já tínhamos começado a sonhar outros sonhos. Um a um, todos pareciam ter a duração de um meteoro e depois morriam. A nossa esperança de alcançar uma felicidade duradora acabou, por perder-se ao longo do caminho.

Expectativa e felicidade

 

É lógico que as expectativas têm muito a ver com a nossa felicidade. Esta é uma das lições de vida mais difíceis de aprender. Na medida, que esperamos que a nossa felicidade venha de coisas externas ou de outras pessoas, os nossos sonhos estarão condenados à morte. A verdadeira fórmula é esta: F = TI.

A felicidade é um trabalho interior. Muitos de nós somos românticos incuráveis. E, o que é uma pena, a esperança romântica não morre facilmente. Continuamos à sonhar sonhos irreais. Mitificamos a realidade com expectativas coloridas. Construímos castelos no ar. É como se a vida e a felicidade fossem o segredo de um cofre. Quando descobrimos a combinação correta, tudo está resolvido. Mas a frustração estará sempre presente enquanto pusermos a nossa felicidade nas coisas externas e nas mãos de outras pessoas. Há alguns anos, um advogado especialista em divórcios afirmou qua a maioria das separações deve se a expectativas românticas. João imagina que estar casado com Maria vai ser o paraíso na terra. Chama-lhe «Querida», «meu amor», e canta -lhe, canções de amor. Ela é a mulher dos seus sonhos. Mas logo que os sinos do casamento param de tocar, surge a verdade: ela tem um génio difícil, aumenta de peso, deixa a comida queimar, põe rolos no cabelo, às vezes tem mau hálito e odores desagradáveis no corpo. João começa a interrogar-se silenciosamente:’ como é que entrou numa situação como esta? Também começa a pensar que Maria o enganou. Ele investiu toda a sua felicidade nesse relacionamento e aparentemente perdeu.

Trabalho Interior

Por outro lado, antes do casamento, o coração de Maria bate mais forte todas as vezes que pensa no João. Vai ser tão maravilhoso estar casada com ele! Mais tarde, serão três no paraíso: João, ela e o filho que virá. Mas entretanto, começam a cinza dos cigarros, o vício dos programas desportivos da TV, as roupas espalhadas pela casa, o dentífrico sem tampa,  a maçaneta da porta que ele  prometeu consertar e ainda está quebrada, pequenas mas dolorosas negligências. Como história, o seu príncipe encantado transforma-se num sapo. Maria chora muito e procura um terapeuta de casais. João seduziu a, prometendo-lhe um mar de rosas; mas, depois do casamento, ela vive um verdadeiro inferno.

Cinquenta por cento dos casamentos termina em divórcio. Sessenta e cinco pôr cento dos segundos casamentos termina da mesma maneira traumática. Há sempre desilusão quando esperamos que a nossa felicidade venha de alguém ou de alguma coisa. Estas expectativas são como um piquenique terminando à chuva. Não existe paraíso, nem uma pessoa perfeita para nós. No início do dia, as expectativas parecem-nos deslumbrantes, mas são logo engolidas pela escuridão e deceção da noite. O nosso erro começa quando esperamos que outras pessoas e coisas externas assumam responsabilizar-se pela nossa felicidade. Vi, em tempos, uma gravura, em que uma mulher enorme, ao lado de um marido minúsculo, exigia: “Faz-me Feliz!”. Era uma caricatura, feita para provocar o riso. Era uma distorção da realidade, e por isso, engraçada.

Na verdade, ninguém pode fazer-nos felizes ou infelizes.

 

Fonte: Retirado do livro- “Felicidade: um trabalho interior” de Jonh Powell, sj

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