Responsabilidade pelas emoções

Vamos abordar agora um assunto mais difícil: assumir a responsabilidade total pelas nossas emoções e sentimentos.

Muitas vezes, crescemos com o mito de que não somos responsáveis pelos nossos sentimentos.

lsto pode ser verdade para as fases de bebé e de criança.

Não tínhamos ainda um adulto dentro de nós que seleccionasse mensagens e emoções. Num certo sentido, estávamos a mercê dos adultos que nos cercavam.

Mas isto já não vale para a nossa fase adulta.

Temos ainda emoções que explodem súbita e espontaneamente em nós. No entanto, como adultos responsáveis, podemos experimentá-las livremente e, então, decidir como vamos expressá-las de modo construtivo e maduro. Talvez possamos, mais tarde, e num momento de reflexão, descobrir as raízes dos nossos sentimentos.

Porque reagi deste modo?

Por definição, uma emoção é uma percepção que se expressa através de uma reacção física. E por ser a emoção uma percepção e uma consequente reacção física àquela percepção, não poderíamos ter emoções se não tivéssemos mentes e corpos.

Por exemplo: se eu me apercebo de si como meu amigo, sinto uma reacção física agradável e relaxada diante de si. A nível emocional, fico feliz ao vê-lo.

Mas, se vejo em si um inimigo, a minha reacção será de luta ou de fuga. Os meus músculos ficarão tensos e o meu coração, acelerado. Sentirei medo de si e do que possa estar a planear, a dizer ou a fazer a meu respeito.

Embora esta reacção emocional não esteja sob o meu controle, sei que ela é causada por algo em mim:

-a percepção que tenho de si.

Esta percepção pode estar bem ou mal. Pode estar contaminada por outras experiências, mas, é, com certeza, algo em mim que provoca esta resposta emocional. O que se ilustra facilmente com uma situação da sala de aula. Formulo esta questão com frequência aos meus alunos: imaginem que um de vos sai no meio da aula, aborrecido comigo e expressando insatisfação com a minha capacidade de ensinar. Como acham que eu me sentiria?

No geral, os meus alunos são rápidos a responder:

«Ficaria revoltado. Diria ao aluno que sabe o nome dele e que lhe pediria o número de registo”.

Outro discorda:

“Não, ficaria magoado. Esforça-se muito para ser bom professor e ficaria triste pelos seus esforços terem sido em vão”

Um terceiro dá outra opinião:

“Acho que se sentiria culpado. Pediria ao aluno que voltasse e lhe desse outra hipotese. E poderia até tentar desculpar-se».

Quase sempre aparece alguém que dá uma resposta compadecida:

“Ficaria com pena do aluno. Pensaria que tem, sem dúvida, outros problemas que o trazem preocupado”.

No final da discussão, foram dadas dez ou onze sugestões sobre a minha possível resposta emocional á situação. (Suponho, secretamente, que cada um deles projecta em mim a sua propria reacção emocional).

De qualquer modo, digo-lhes que poderia reagir de qualquer uma das maneiras sugeridas. E acrescento enfaticamente:

“Prestem bastante atenção a isto: há realmente muitas respostas que eu poderia dar nesta situação. Não estou certo de qual delas escolheria. Mas uma coisa é certa: a minha reacção emocional seria causada por alguma coisa dentro de mim e não pelo aluno que saiu.”

Ele pode apenas estimular uma reacção. Algo em mim vai determinar a reacção emocional exacta ao estímulo. O que penso sobre a minha pessoa, o meu desempenho como professor, a importância que dou à matéria que estou a apresentar – todos estes factores dentro de mim vão determinar a minha exacta reacção emocional. Devo assumir total responsabilidãde por ela. E a isto que chamo aceitar a responsabilidade pelas minhas emoções. Muitas das minhas respostas emocionais são boas. Outras tendem a ser auto-destrutivas. Assim, quando reflicto sobre a minha reacção emocional a determinada situação, saio em busca da percepção a partir da qual tudo começou. Posso questionar, ampliar ou mesmo alterar essa percepção. Talvez deva reformular alguma coisa. Numa situação de embaraço, por exemplo, a outra pessoa pode estar apenas a ser simpática, sem pensar em me deixar constrangido. Talvez eu me assuma como uma pessoa inferior, e, em vez de admitir isso, tente esconder esse sentimento através da minha arrogância. De uma coisa estou certo: se eu questionar e até mudar a minha percepção, a minha resposta emocional também mudará.

Jonh Powel – “Felicidade: um trabalho interior”

Postado e adaptado por Isabel Pato

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