As pessoas que se aceitam convivem consigo mesmas como estão no presente. 

O «eu»de ontem é história. O «eu» de amanhã é desconhecido.

Livrar-me de meu passado e não antecipar o futuro não são tarefas simples ou fáceis. Mas o foco da verdadeira autoaceitação é o meu eu de agora. Há uns versosantigos que dizem:

“Não importa o que se foi,

Mas só o que se é agora”.

O que fui, incluindo todos os erros que cometi, não importa realmente, como não importa o que serei no futuro. O que importa mesmo é quem sou agora. Se eu amar oupermitir que outros amem apenas o meu eu potencial, esse amor será inútil, destrutivomesmo. Não será incondicional, característicaessencial do amor verdadeiro. Segundoo amor condicional, “Só o amo, se…». Comodisse Charlie Brown certa vez, «o maior sofrimentoda vida é ter apenas um grande potencial”!

As pessoas que se aceitam são capazes de rir de si mesmas, com frequência.

Levar-se a sério demais é quase sempre um sinal de insegurança.

Um velho ditado chinês diz:

“Abençoados aqueles que conseguem rir de si mesmos. Jamais deixarão de se divertir.”

Ser capaz de admitir e rir da sua própria fragilidade requer uma segurança interior que se encontra apenas na auto aceitação. Só poderei admitir as minhas limitações quando me considerar uma pessoa essencialmente boa.

Conseguirei rir até mesmo quando essas limitações forem patentes e reconhecidas pelos outros. “Nunca lhes prometi um jardim de rosas…”.

As pessoas que se aceitam são capazes de reconhecer as suas próprias necessidades e de lhes dar remédio.

Em primeiro lugar, as pessoas que se aceitam estão em contacto com as suas próprias necessidades – físicas, emocionais, intelectuais, sociais e espirituais.

Em segundo lugar, é verdade que à caridade neste contexto começa em casa. Se eu não me amar, certamente que não poderei amar ninguém ignorar as nossas próprias necessidades é um caminho suicida. Devo amaro meu próximo como a mim mesmo. No entanto,só posso amar o meu próximo com espontaneidade se me amar de verdade. As pessoas que se aceitam, procuram levar uma vida equilibrada na qual as suas necessidades são satisfeitas. Geralmente descansam,descontraem, exercitam-se e alimentam-se bem. Evitam excessos e hábitos destrutivos como beber demais, comer demais, fumar e usar drogas. São também capazes de contrabalançaras suas próprias necessidades com os direitos e exigências do outro. Ficam atentos às necessidades das outras pessoas e procuram atendê-las com compaixão. No entanto, sabem dizer “não” sem se sentirem culpadas ou arrependidas. Conhecem as suas próprias necessidades e limitações.

 

As pessoas que se aceitam são pessoas auto determinadas.

Os caminhos verdadeiros são traçados a partir de uma orientação interna, não externa. Se me aceitar de verdade,farei o que considero adequado, não oque os outros dizem ou pensam que eu devo fazer.

A autoaceitação torna-me imune a pressões psicológicas ou espirituais. Perco o medo de remar contra a maré, se for necessário.

Como disse Fritz Perls, “Não vim a este mundo para corresponder às tuas expectativas,e tu não vieste para corresponderàs minhas”.

As pessoas s que se aceitam têm um bom contacto com a realidade. Podemos compreendermelhor o que é um bom contacto com a realidade se pensarmos no oposto: sonhar acordado, imaginar-se numa outra vida oucomo outra pessoa. Convivo com a minha pessoa real e com os outros como realmentesão. Não perco a minha energia lamentando-me por não ser diferente. Vivo e gozo a vida como ela é, realmente. Não me ponho a divagarsobre o que poderia ser.

As pessoas que se aceitam são afirmativas.

O último sinal de auto aceitação e o que chamamos de afirmação. Como uma pessoa que se aceita, reivindico o direito de ser levado a sério, de ter as minhas próprias opiniões e fazer as minhas próprias escolhas. Só entro nas relações em situação de igualdade.

Não quero ser o «coitado” nem o eterno ajudante dos desamparados. Reivindico também o meu direito de errar. Muitos evitam a verdadeira afirmação com medo de estarem enganados; escondem as suas opiniões e não mostram as suas preferências.

A auto aceitação desafia-nos a sermos afirmativos

A nos respeitarmos, a nos expressarmos aberta e honestamente.