Esta é a Hora Certa!

Todos os dias recebemos pedidos de ajuda, de pessoas cujas vidas já não fazem sentido e não encontram uma saída. Tomo a liberdade de partilhar aqui a resposta a um desses pedidos de ajuda, com o intuito de que a mensagem possa ser passada a quantas mais pessoas cujas vidas tenham chegado ao mesmo ponto – o ponto de viragem. O Nome é fictício, todos os dados que recebemos são tratados com toda a confidencialidade, a não ser que seja da vontade da pessoa que a divulguemos.

Pedido de Ajuda:

“Tenho 19 anos, e na minha cabeça sinto muita magoa, porque meus pais me deixaram com 3 anos com minha avó e isso eu senti muito e varias coisas mais na escola e tudo mais, só tenho vontade de chorar e não sinto vontade de fazer nada, estou me tratando com psiquiatra mas ele so me receita sertralina e isso eu já tomo ha 3 anos, não aguento mais tudo isso”.

Resposta:

Bom dia João,

Antes de mais quero manifestar a minha Gratidão pela confiança depositada e pela honestidade com que expõe o seu problema.

Confesso que levei algum tempo a reflectir sobre como lhe iria responder. Pois sei que é muito jovem, e queria conseguir lhe passar a mensagem que escrevo aqui. Também sei que apesar de muito jovem, nada acontece por acaso, e se chegou o seu pedido de ajuda até mim, é porque está preparado para receber o que tenho para lhe dizer.

Peço que oiça com toda a atenção, numa postura de abertura, a minha intenção é ajudá-lo, pois eu também passei pelo que o João está a passar neste momento.

João, vou partilhar um pouco da minha experiência consigo.depressão

Também eu cheguei a um beco sem saída na minha vida. Tinha 25 anos e nada fazia sentido para mim, tinha ataques de pânico constantemente, vivia aterrorizada pelo medo de sentir medo, não conseguia fazer nada sozinha, no principio não queria sair de casa, pois só de pensar nisso já ficava aterrorizada a pensar em todos os perigos que me esperavam a partir do momento em que pusesse o pé fora de casa, e no fim já nem conseguia estar em casa sozinha, porque o medo tinha ganho tanto espaço que me anulou completamente.

Tomava benzodiazepinas – o que chamam de calmante ou ansiolítico, pois drogada não sentia tanto a vida e não sentia tanto o sufoco em que vivia, mas isso não resolvia os meus problemas, apenas me mantinha drogada e alheia ainda mais á vida. Culpava tudo e todos pela minha situação, exigia que tomassem conta de mim, controlava toda a gente para que pudesse me movimentar sentindo que tinha as coisas sob controle, e quando algo saia do meu controle, entrava em pânico…

Culpava os meus pais porque eles não me davam o amor que eu tanto clamava e esperava. Culpava-os igualmente por me terem superprotegido, não me deixando viver a vida que eu desejava – no fundo apenas queria retirar a responsabilidade das minhas costas, pois analisando o meu passado, eu sempre fiz tudo aquilo que realmente quis.

Sempre me lembro de pensar no suicídio, desde muito jovem, teria pouco mais de 15 anos, quando comecei planeando e me informando sobre como seria a melhor forma de o fazer. Nunca tentei sequer, porque no fundo o que eu queria era chamar a atenção, era um grito de socorro, pedindo que olhassem para mim e me amassem…Eu não suportava que os meus pais não me dessem o amor que eu achava que tanto precisava…Mas eu não queria morrer, eu apenas não queria mais a vida que tinha…

Enfim, digo que não foi nada fácil, não sei como suportei “sobreviver” assim ainda durante cerca de 4 anos, em que os sintomas progrediam a cada dia mais… Andei em psicólogos, cheguei a ir á psiquiatria pois me haviam diagnosticado a doença bipolar, mas graças a Deus não fiquei lá, ou teriam me sedado tirando-me ainda o pouco de sanidade que tinha…mal amado

Mas foi o meu trajecto. Todo esse sofrimento apenas me queria mostrar uma situação – eu resistia a viver, a crescer, a evoluir. A vida mostrava-me que tinha de dar o passo em frente, mas eu queria continuar a controlar tudo, a que as coisas fossem feitas da minha maneira, eu queria ser o centro do mundo e que tudo girasse á minha volta…Mas o Universo não funciona assim, ele é um continuo fluxo, contínua evolução e quando tentamos quebrar esse fluxo entramos no que se chama de depressão.

A depressão é uma fuga á vida, é uma ilusão, embora as emoções sejam bem reais. Mas não tem nada de verdade nisso. Temos que ter consciência que os nossos pensamentos, aquilo em que acreditamos não mais faz sentido, e que o que está a acontecer é que tudo aquilo que o João aprendeu sobre a vida, não se ajusta mais ao Mundo em que vivemos neste momento.

Eu tive o previlégio de encontrar uma equipe maravilhosa que me guiou para fora do buraco que eu mesma tinha escavado. Em 2008 encontrei a Metamorfose Real, o primeiro Centro Internacional de Gestão de Stress, e iniciei uma vida nova.

João, se eu consegui, e a minha existência resumia-se a um estado vegetativo, então você também consegue.

È esta a mensagem que lhe quero passar, e disponibilizo-me desde já a ajudar, passando toda a informação que for necessária.Metamorfose

Sugiro que leia o seguinte artigo, que vou colar aqui o link, da pessoa que me guiou em todo este processo, e com quem trabalho neste momento, e é uma benção e um previlégio fazer parte desta equipe de sucesso, ao qual estou eternamente grata, pois me forneceu todas as ferramentas para que eu pudesse reconstruir a minha vida, não como ela era antes de eu ficar doente, mas sim, construir uma Elisabete Nova, uma Vida Nova, cheia de oportunidades, e acima de tudo – a liberdade de escolha.

Link do artigo: http://stress.solucaoperfeita.com/depressao-o-fim-do-caminho/

Espero que a minha experiência lhe seja útil, e espero o seu retorno João. A vida é uma festa – é preciso saber vê-la como tal.

Atenciosamente,

Elisabete Milheiro