A acusação é como o alcoolismo

Acusação

Nos últimos dez anos da minha vida, acho que aprendi mais com a Associação dos Alcoólatras Anonimos do que com qualquer outra fonte.

 

 

 

Não sou um alcoólatra, e considero-me uma pessoa de sorte por o não ser.

De certa forma, participo da experiência sem ter que pagar um alto preço por isso. Uma das coisas que aprendi é que os dependentes de álcool ou das drogas não amadurecem enquanto continuarem a beber ou a drogar-se.

Estar em contacto com a realidade é condição indispensável para o crescimento. Quando o álcool ou as drogas afastam a pessoa da realidade, ela já não consegue perceber as coisas como realmente são e fica estacionada em determinado ponto do seu desenvolvimento.

Um de meus alunos, que foi alcoolatra durante cinco ou seis anos até parar de beber, disse-me que era como se não tivesse passado pela adolescência.

Teve de “juntar os pedaços» para novamente começar a crescer depois do período em que viveu no nevoeiro alcoolico.

O mesmo acontece com o acusador.

Quando se recusa a assumir a responsabilidade pela sua vida e as suas reacções, cria uma barreira que o separa da realidade. Essa barreira é feita de projecção e racionalização, e funciona como o nevoeiro das defesas do ego. lludir-se e enganar-se tornam-se válvulas de escape.

O acusador, como o alcoolatra, não consegue crescer, pois constroi o seu mundo todo de névoa. Tanto um como o outro só se sentem em paz quando se fecham nesse mundo. Os acusadores criam um mundo de explicações falsas para factos verdadeiros; procuram a paz atirando para outras pessoas a responsabilidade das suas vidas e da sua felicidade.

Isto aplica-se a todos?

O que estamos a dizer sobre a responsabilidade total aplica-se a todos os seres humanos, mas em diferentes níveis.

Quando crianças, somos como argila macia, prontos para sermos modelados. Nascemos com uma ” fita virgem”, dentro de nós, que começa a ser gravada na infância. Aprendemos a maior parte das nossas perceções e reações emocionais através da influência dos adultos à nossa volta. No mínimo, as interpretações que fazemos da realidade são aprendidas com esses adultos.

Do mesmo modo que as crianças precisam de liberdade pouco a pouco até saberem pensar e escolher por si mesmas, também nós precisamos de aprender a assumir pouco a pouco a total responsabilidade pela nossa vida e a nossa felicidade.

Esta é uma parte importante do processo de crescimento e desenvolvimento.

Sabemos o que aconteceria se os pais insistissem em tomar todas as decisões pelos seus filhos até que completassem vinte e um anos de idade. O resultado seria as pessoas atingirem a maioridade inteiramente imaturas.

Sabemos também o que aconteceria se as crianças aprendessem, através de exemplos, a delegar a responsabilidade das suas vidas a outras pessoas.

Permaneceriam crianças por toda a vida. Portanto, responsabilidade total é responsabilidade adulta; deve ser ensinada às crianças desde muito cedo e assumida gradualmente à medida que elas crescem.

A penalidade para quem se recusa a assumi-la é ficar preso a uma infância eterna.

Tenho tentado praticar o que prego. Umas vezes, sou bem sucedido; outras vezes, falho. No entanto, tenho-me esforçado por assumir total responsabilidade pela minha vida e pela minha felicidade.

Mencionei anteriormente o cartaz que leio todas as manhãs no meu espelho:

EIS A PESSOA RESPONSAVEL PELA SUA FELICIDADE !

A vida é um processo permanente. Estamos todos a participar numa viagem em direcção à plenitude da vida. Fomos feitos para apreciar esta viagem. Estou certo de que as duas bases desta caminhada são os dois pontos apresentados aqui:

  • (1) uma auto-aceitação total – a valorização da nossa pessoa como um ser único, e
  • (2) a disposíção para assumirmos totalmente a responsabilidade de todos os passos (inclusive os maus) que damos ao longo do caminho.

Jonh Powel – “Felicidade: um trabalho interior”

Postado e adaptado por Isabel Pato

 

Autor versus Acusador

Autor versus Acusador

Autores versus acusadores

Ao tentar explicar os nossos comportamentos e emoções, temos apenas duas opções:

  • Ou somos os donos, das nossas reacções
  • ou culpamos alguém ou alguma coisa por elas.

Só que esta não é uma escolha simples, sem consequências.

Enquanto a minha honestidade me coloca no caminho da maturidade, a minha racionalização afasta-me da realidade. Se me considero autor das minhas acções e assumo a responsabilidade pelas minhas emoções e comportamentos, conheço-me melhor e sou capaz de crescer. Se explico as minhas ações e sentimentos atribuindo a responsabilidade a outras pessoas ou situações, nunca chego a conhecer o meu verdadeiro «eu». Vou retardar o meu crescimento pessoal enquanto não conseguir a reconhecer a minha responsabilidade.

Lembre-se: o crescimento começa onde as acusações terminam.

Observe como as pessoas reagem de modos diferentes à mesma pessoa ou situação. Examine, por exemplo, o caso de uma pessoa grosseira e agressiva. Podemos ter-lhe raiva e descobrir que outra pessoa sente pena dela. Tudo depende da percepção pessoal. Se a vejo como deliberadamente má, a minha resposta emocional pode ser de raiva ou ressentimento. O meu comportamento diante dela pode ser de sarcasmo. Mas, se a vejo como carente ou infeliz, a minha reacção será provavelmente de compaixão.

Quando revemos as nossas percepções e atitudes habituais, reformulamos também as nossas respostas emocionais. É importante lembrar que a perceção está sempre no núcleo de cada emoção. E esta perceção que lhe vai determinar a natureza e a intensidade. É  provável que muitas das minhas emoções sejam saudáveis e construtivas. Contudo, se os meus padrões emocionais são destrutivos e me afastam das pessoas, é importante examinar melhor as percepções ou atitudes com as quais escrevo o roteiro da minha vida.

lsto é certamente uma parte da minha responsabilidade total.

Jonh Powel – “Felicidade: um trabalho interior”

Postado e adaptado por Isabel Pato

A responsabilidade total e as nossas emoções

Responsabilidade pelas emoções

Vamos abordar agora um assunto mais difícil: assumir a responsabilidade total pelas nossas emoções e sentimentos.

Muitas vezes, crescemos com o mito de que não somos responsáveis pelos nossos sentimentos.

lsto pode ser verdade para as fases de bebé e de criança.

Não tínhamos ainda um adulto dentro de nós que seleccionasse mensagens e emoções. Num certo sentido, estávamos a mercê dos adultos que nos cercavam.

Mas isto já não vale para a nossa fase adulta.

Temos ainda emoções que explodem súbita e espontaneamente em nós. No entanto, como adultos responsáveis, podemos experimentá-las livremente e, então, decidir como vamos expressá-las de modo construtivo e maduro. Talvez possamos, mais tarde, e num momento de reflexão, descobrir as raízes dos nossos sentimentos.

Porque reagi deste modo?

Por definição, uma emoção é uma percepção que se expressa através de uma reacção física. E por ser a emoção uma percepção e uma consequente reacção física àquela percepção, não poderíamos ter emoções se não tivéssemos mentes e corpos.

Por exemplo: se eu me apercebo de si como meu amigo, sinto uma reacção física agradável e relaxada diante de si. A nível emocional, fico feliz ao vê-lo.

Mas, se vejo em si um inimigo, a minha reacção será de luta ou de fuga. Os meus músculos ficarão tensos e o meu coração, acelerado. Sentirei medo de si e do que possa estar a planear, a dizer ou a fazer a meu respeito.

Embora esta reacção emocional não esteja sob o meu controle, sei que ela é causada por algo em mim:

-a percepção que tenho de si.

Esta percepção pode estar bem ou mal. Pode estar contaminada por outras experiências, mas, é, com certeza, algo em mim que provoca esta resposta emocional. O que se ilustra facilmente com uma situação da sala de aula. Formulo esta questão com frequência aos meus alunos: imaginem que um de vos sai no meio da aula, aborrecido comigo e expressando insatisfação com a minha capacidade de ensinar. Como acham que eu me sentiria?

No geral, os meus alunos são rápidos a responder:

«Ficaria revoltado. Diria ao aluno que sabe o nome dele e que lhe pediria o número de registo”.

Outro discorda:

“Não, ficaria magoado. Esforça-se muito para ser bom professor e ficaria triste pelos seus esforços terem sido em vão”

Um terceiro dá outra opinião:

“Acho que se sentiria culpado. Pediria ao aluno que voltasse e lhe desse outra hipotese. E poderia até tentar desculpar-se».

Quase sempre aparece alguém que dá uma resposta compadecida:

“Ficaria com pena do aluno. Pensaria que tem, sem dúvida, outros problemas que o trazem preocupado”.

No final da discussão, foram dadas dez ou onze sugestões sobre a minha possível resposta emocional á situação. (Suponho, secretamente, que cada um deles projecta em mim a sua propria reacção emocional).

De qualquer modo, digo-lhes que poderia reagir de qualquer uma das maneiras sugeridas. E acrescento enfaticamente:

“Prestem bastante atenção a isto: há realmente muitas respostas que eu poderia dar nesta situação. Não estou certo de qual delas escolheria. Mas uma coisa é certa: a minha reacção emocional seria causada por alguma coisa dentro de mim e não pelo aluno que saiu.”

Ele pode apenas estimular uma reacção. Algo em mim vai determinar a reacção emocional exacta ao estímulo. O que penso sobre a minha pessoa, o meu desempenho como professor, a importância que dou à matéria que estou a apresentar – todos estes factores dentro de mim vão determinar a minha exacta reacção emocional. Devo assumir total responsabilidãde por ela. E a isto que chamo aceitar a responsabilidade pelas minhas emoções. Muitas das minhas respostas emocionais são boas. Outras tendem a ser auto-destrutivas. Assim, quando reflicto sobre a minha reacção emocional a determinada situação, saio em busca da percepção a partir da qual tudo começou. Posso questionar, ampliar ou mesmo alterar essa percepção. Talvez deva reformular alguma coisa. Numa situação de embaraço, por exemplo, a outra pessoa pode estar apenas a ser simpática, sem pensar em me deixar constrangido. Talvez eu me assuma como uma pessoa inferior, e, em vez de admitir isso, tente esconder esse sentimento através da minha arrogância. De uma coisa estou certo: se eu questionar e até mudar a minha percepção, a minha resposta emocional também mudará.

Jonh Powel – “Felicidade: um trabalho interior”

Postado e adaptado por Isabel Pato

Elabore estas ideias sobre a autoaceitação

Qualquer pessoa que tenha o hábito de falar em público, sabe como é importante pedir à audiência que elabore as ideias apresentadas.O mesmo se aplica à palavra escrita. Deve solicitar-se ao leitor que faça alguma coisa para elaborar as ideias apresentadas. Palavras escritas ou faladas que apenas passam por nós, não se tornam parte da nossa vida. Só quando trabalhamos com as ideias e as comparamos com a nossa própria experiência, nós as tornamos parte da nossa vida.

Quando isto acontece, nos mudamos. E é por isso que, no final de cada prática apresentada neste livro, se incluem sugestões para que o leitor possa elaborar as suas ideias. Estes exercícios vão estimular mais motivações e mudanças do que as palavras que o leitor leu. E uma atividade que lhe vai trazer um novo entusiasmo. Tente fazer os exercícios seguintes:

 

Escreva sobre a sua auto-percepção.

 

Tente perceber quais os aspetos mais difíceis de aceitar:

o seu corpo,
a sua mente,
as suas falhas,
os seus sentimentos e emoções,
a sua personalidade.

Sente-se e reflita. Explore os seus espaços interiores.

Tente descrever o que acha mais difícil de aceitar em si mesmo – e porquê.

Que diria a alguém que tivesse um problema de autoaceitação como o seu?

 

Faça a fantasia da cadeira vazia.

Sente-se num lugar tranquilo, de preferência sozinho.

Escolha uma posição confortável e feche os olhos.

Tente descontrair-se inspirando profundamente, sem fazer força. Expire completamente. Esvazie os pulmões de modo a preenchê-los com um suprimento de oxigénio fresco na próxima inalação.

Enquanto respira, tente imaginar a rede completa de músculos do seu corpo. Veja os seus nervos e músculos tão esticados como tiras de borracha.

Imagine então que eles vão afrouxando, relaxando. Sinta-se como se entrasse lentamente numa onda de paz e tranquilidade.

Agora imagine uma cadeira vazia à sua frente, a uns três metros de distância, com todos os pormenores.

Qual e o formato da cadeira? E a cor? Tem ar de confortável? Tem almofadas? Foque-a com nitidez. Imagine agora alguém que conhece muito bem – pode ser um colega de escola, de trabalho, uma pessoa da família. Imagine essa pessoa a entrar em cena, sentando-se na cadeira e olhando para si. Será que ela se sente confortável com a sua presença? Ao devolver-lhe o olhar, torne-se consciente pouco a pouco da sensação que experimenta perante ela. Lembre-se das suas experiências com essa pessoa, os sentimentos que ela lhe evoca, os julgamentos que você faz a seu respeito – tudo isto dará forma à sua sensação. Depois de a sentir com bastante clareza, escolha alguma coisa para lhe dizer. Que gostaria de lhe comunicar ou perguntar? Seja o que for, diga-lho e veja-a levantando-se e saindo.

Faça o mesmo com uma segunda pessoa que você conheça muito bem. Torne-se consciente da maneira como ela olha para si e da sua sensação diante dela, diferente daquela que experimentou com a primeira pessoa. Quando a sua sensação ficar bem clara, diga-lhe alguma coisa. Depois, veja-a levantando-se e indo embora também.A terceira pessoa a entrar em cena é você.

Veja a sua própria imagem sentada na cadeira, olhando para você. Veja a expressão do seu rosto.

Pouco a pouco, torne-se consciente da sensação que a sua própria imagem lhe provoca. Sinta como gosta ou não gosta de si e porquê. Observe os pormenores da sua imagem expressões fisionómicas, postura corporal. Diga qualquer coisa que tenha no coração guardada para você. Observe-se levantando-se da cadeira devagar e saindo.

Agora abra os seus olhos. Escreva as suas reações diante de sua própria pessoa. Como captou a sua imagem? Gostou dela? Escolheria esta pessoa como sua amiga? Sentiu pesar ou satisfação com ela? Como ela lhe pareceu – cansada ou cheia de energia? Gostou da sua aparência?

Que lhe disse? Registe por escrito as coisas mais importantes.

 

Faça duas listas.

 

Faça, primeiro uma lista de todos os seus dons e capacidades – qualidades especiais, atributos físicos, talentos, etc. Este será um exercício permanente. À medida que for descobrindo novas qualidades, acrescente-as à lista.

E depois, faça uma lista das limitações e falhas que mais o incomodam. Esta lista tem em casa, uma função de limpeza. A verdadeira autoaceitação deve começar com uma avaliação honesta.

Não precisamos de negar as nossas limitações, nem ficar desencorajados com elas. Não celebramos as nossas dificuldades nem nos congratulamos com as nossas neuroses, mas a verdadeira autoaceitação significa acolher algumas verdades dolorosas a nosso respeito. Somos todos seres humanos limitados. Se não aceitarmos esta verdade, estaremos num mundo de ilusão e fantasia. Só aceitando e encarando de frente as nossas limitações, seremos capazes de ver com clareza a direção do nosso desenvolvimento e crescimento no futuro.

Seria interessante mostrar as duas listas a um amigo e confidente. Tendo feito esse inventário dos seus pontos fortes e fracos, você estará pronto para começar «o primeiro dia do resto da sua vida».

Será o começo de uma autoestima verdadeira e de uma celebração eterna da pessoa única que você é!

Lembre-se:

Cada um de nos é um original criado por Deus. Não há copias – papel químico em nenhum lugar.Jonh Powel – “Felicidade: um trabalho interior”

Postado por Isabel Pato

Sou exatamente a pessoa que devo ser!

Sou exatamente a pessoa que devo ser!

O ponto crucial:

Sou exatamente a pessoa que devo ser!

Qualquer que seja a nossa preferência religiosa, esta é uma verdade sobre Deus e a sua criação: nem a sua história, nem a minha, começaram no dia em que viemos a este mundo. Desde a eternidade que Deus nos valoriza e nos ama.

Ele poderia ter-nos feito diferentes. Poderíamos ter recebido outros dons, outros genes. Mas já não seríamos quem somos. E Deus queria-nos exatamente como somos. Outros mundos poderiam ter sido criados. Mas esta é uma das razões pelas quais Deus escolheu este para criar: porque você é você e eu sou eu.

Segundo uma velha tradição judaico-cristã, Deus envia cada um a este mundo para transmitir uma mensagem especial e para viver um ato de amor especial. A sua mensagem e o seu ato de amor são-lhe confiados a si; os meus, a mim. Deus é quem decide se esta mensagem irá alcançar várias pessoas numa cidade pequena ou todas as pessoas, o mundo inteiro. A única certeza importante é que cada um de nos está totalmente equipado. Você tem exatamente os dons necessários para transmitir a sua mensagem, eu tenho os dons escolhidos para transmitir a minha.

Temos tudo!

Uma parte especial da verdade de Deus foi colocada nas nossas mãos, e Ele pediu que a compartilhássemos com os outros. O mesmo se aplica a si e a mim. E como você é único, a sua verdade é-lhe dada somente a si. Ninguém mais pode levar ao mundo a sua verdade ou oferecer aos outros o seu ato de amor. Só você tem todos os atributos para ser e fazer o que é necessário.

Só eu tenho o potencial capaz de executar a tarefa que me trouxe a este mundo.

Seria uma tolice eu querer comparar-me a você.

Cada um de nos e único. Não temos fotocopia ou clones da nossa pessoa. Essa comparação seria a morte da autoaceitação. Olhe para as suas mãos: os seus dedos não são iguais. Se fossem,você não poderia segurar um bastão de baiseball ou as agulhas de tricô. Da mesma maneira que, algumas pessoas são altas e outras são baixas.

O mundo guarda os originais como tesouros, e cada um de nós é um original criado por Deus

Algumas possuem certos talentos, outras possuem dons diferentes. Você foi feito sob medida para fazer o que lhe foi reservado. Eu, para fazer a minha parte. Por isso você não é eu, e eu não sou você. E isto é muito bom. Devemos não só aceitar,mas também celebrar as nossas diferenças.

O mundo guarda os originais como tesouros, e cada um de nós é um original criado por Deus.

Jonh Powel – “Felicidade: um trabalho interior”

Postado por Isabel Pato

Programação e autoaceitação

Programação e autoaceitação

Alguém já disse, por graça, que a coisa mais sábia que uma criança pode fazer é escolher adequadamente os seus pais. Uma autoaceitação tranquila tem as raízes mais profundas na infância.

Nós, seres humanos, somos semelhantes aos computadores. Tudo o que já vimos, ouvimos ouvivenciámos permanece arquivado para semprena nossa mente. O cérebro humano médio pesa apenas um quilo e meio. Dizem os neurologistas, no entanto, que se fôssemos construir um computadorque pudesse armazenar a mesma quantidadede mensagens do cérebro humano, este precisaria ter dez andares de altura e cobriria o estado do Texas. Rudolf Dreikurs, psiquiatra adleriano, acredita que o importante não é o que nos foi dito, mas aquilo que escutámos (captámos).

E o problema é que nem sempre escutamos ou captamos coisas positivas, que nos façam sentirpessoas válidas, com potencial para nos tornarmosseres humanos plenos.

E o problema é que nem sempre escutamos ou captamos coisas positivas, que nos façam sentir pessoas válidas, com potencial para nos tornarmos seres humanos plenos.

Uma professora de uma escola montessoriana contou-me uma história que não chegou a surpreender-me. A escola envia uma ficha de matrícula aos pais de alunos candidatos à escola.

Uma das perguntas é: “Há algo que devemos saber sobre o seu filho antes de as aulas começarem?”

Alguns deles costumam responder: “O nosso filho é maravilhoso. Vão gostar muito dele. Ea professora acrescentou: «Aprendemos a esperar um excelente desempenho desses alunos. Sãoautoconfiantes, afirmativos e parece que gostam de si mesmos. Por outro lado, muitos pais escrevemque os seus filhos são agitados, têm birraspor tudo e por nada. A professora terminou o relato com tristeza: “Eles manifestam assuas insegurançascomo foi previsto. Acabam por se tornarem naquilo que os seus pais tinham previsto.

É importante saber que podemos reformular as fitas gravadas pelos nossos pais. Como adultos, podemos “gravar por cima, das mensagens negativas. É claro que vamos querer manter asque são saudáveis e positivas. A mente humana é como um jardim. Se quisermos flores, teremos de arrancar as ervas daninhas. Podemos começar este processo fazendo uma lista das mensagens que nos transmitiram, dividindo-as em duas categorias: de um lado, as positivas e saudáveis;de outro, as negativas e não-saudáveis. Devemos também fazer uma lista das nossas qualidades e talentos pessoais, para que as flores possam aparecer. O que nos torna mais conscientes dos nossos dons e dos nossos pontos positivos. A beleza, pouco a pouco, toma o lugar das dificuldades que nos limitam.

Do livro: “Felicidade: um trabalho interior” de Jonh Powel

Postado por Isabel Pato