A triste estatística

A triste estatística

Suponho que todos nós somos capazes de adquirir o “hábito da felicidade”.

 

Thoreau

Certa vez, o filósofo Thoreau disse que a maioria das pessoas “leva uma vida de silencioso desespero», tendo desistido de alcançar uma felicidade verdadeira e duradoura. As evidências, nos nossos dias, são tão assustadoras, que Thoreau parece estar certo.

A cada dia aumentam o número de divórcios, os casos de abuso de crianças e de cônjuges, a dependência do álcool e das drogas. Há uma explosão de gravidez na adolescência. Os grupos de assaltantes invadem as ruas. A polícia patrulha os arredores dos colégios. As prisões multiplicam-se. As nuvens de um conflito mundial pairam no horizonte. Muitas pessoas acham que isto explica a nossa infelicidade crónica. Até o ar que respiramos está poluído. A chuva que molha os frutos é «chuva ácida”. Os alimentos que ingerimos contêm muitos agentes cancerígenos. Há o pesadelo da SIDA, que promete fazer milhões de vítimas nos próximos anos. Num panorama como este, é difícil escapar à depressão. Por outras palavras, se não nos sentimos mal com tudo isto, é porque não estamos atentos ao que se passa à nossa volta, ou, como disse Waltel Cronkite certa vez: «Se acha que as coisas vão bem, é melhor mandar consertar a televisão».

Não é de admirar que a Organização Mundial de Saúde tenha apontado a depressão como a doença mais comum em todo o mundo. Um terço dos americanos acordam deprimidos todos os dias. Especialistas calculam que apenas dez a quinze por cento dos americanos se consideram felizes. O maior Índice de suicídio entre profissionais é entre os psiquiatras, aparentemente, nem mesmo a psiquiatria, oferece a combinação certa para o segredo do cofre. Como consequência, há muito quem descreia da felicidade. Como a busca nessa direção tem sido muito mal sucedida para a maioria de nós, muitos desistiram, partindo para as drogas, comendo demais, bebendo demais e tentando parecer felizes. “A gente luta pela vida”, disse alguém, “e depois morre».

 

Para muitas pessoas, a promessa da verdadeira felicidade é apenas uma mentira cruel. É como o pote de ouro no fim do arco-íris que as faz correr cada vez mais rápido, cada vez com mais esforço – sem nenhum resultado.

Fonte: Retirado do livro- “Felicidade: um trabalho interior” de Jonh Powell, sj